A despedida de Neymar da Seleção Brasileira encerra um dos capítulos mais complexos da história recente da equipe nacional. Dono de números incontestáveis, protagonista de uma geração que jamais conquistou a Copa do Mundo e alvo permanente de debates, o camisa 10 deixa a equipe carregando uma pergunta inevitável: afinal, o que ele acrescentou à Seleção? E, olhando para este último Mundial, foi correto levá-lo ou sua presença representou um problema? Os números dificilmente permitem contestação. Com 80 gols, Neymar encerra sua trajetória como o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. Durante mais de uma década e meia, foi o principal rosto do futebol brasileiro, assumiu responsabilidades, decidiu partidas e carregou um peso que poucos jogadores da história tiveram. Ao mesmo tempo, sua carreira na Seleção ficou marcada por um roteiro cruel de lesões justamente nos momentos mais importantes. Na Copa do Mundo do Catar, em 2022, parecia que enfim chegaria a sua melhor oportunidade. Logo na estreia, porém, sofreu uma entorse no tornozelo que o tirou da fase de grupos. Voltou a tempo do mata-mata, marcou diante da Coreia do Sul e produziu um dos momentos mais brilhantes de sua carreira ao fazer um golaço na prorrogação contra a Croácia. O gol parecia colocar o Brasil na semifinal, mas a equipe sofreu o empate nos minutos finais e acabou eliminada nos pênaltis.

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