Anvisa proíbe e apreende canetas emagrecedoras paraguaias vendidas ilegalmente no Brasil

A Anvisa determinou, nessa quarta-feira, 21/jan, a apreensão e a proibição de canetas emagrecedoras de origem paraguaia comercializadas de forma irregular no Brasil. A medida atinge os medicamentos Tirzepatida, das marcas Synedica e TG, e a Retatrutida, de todas as marcas e lotes. Com a decisão, os produtos ficam proibidos de serem fabricados, importados, distribuídos, comercializados, divulgados ou utilizados em território nacional. Segundo a Anvisa, os medicamentos são produzidos por empresas desconhecidas e estão sendo anunciados e vendidos principalmente por meio de redes sociais, como o Instagram, sem qualquer tipo de registro, notificação ou cadastro junto à agência reguladora. Por se tratarem de produtos irregulares e de origem desconhecida, a Anvisa alerta que não há garantia sobre a composição, a eficácia ou a segurança dessas canetas. A orientação é clara: os medicamentos não devem ser utilizados em nenhuma hipótese. Profissionais de saúde e pacientes que identifiquem produtos das marcas citadas podem entrar em contato com a Anvisa por meio dos canais oficiais de atendimento ou acionar a Vigilância Sanitária local.

Importação e uso proibidos

Nos últimos meses, a Anvisa publicou uma série de resoluções proibindo a importação, fabricação, distribuição, comercialização, propaganda e uso de canetas emagrecedoras sem registro sanitário no país. Desde setembro, ao menos cinco resoluções foram editadas com esse objetivo.

De acordo com o órgão, as medidas se tornaram necessárias diante do aumento da propaganda e da venda irregular desses medicamentos pela internet, prática proibida no Brasil. A agência reforça que o uso de produtos não aprovados dificulta a rastreabilidade em casos de efeitos adversos e representa risco à saúde da população.

Caso de internação em Belo Horizonte

A Anvisa também chama atenção para casos graves associados ao uso desses produtos. Uma moradora de Belo Horizonte, de 42 anos, está internada desde dezembro de 2025 após apresentar complicações relacionadas ao uso de uma suposta caneta emagrecedora adquirida ilegalmente. Segundo a família, o medicamento era de origem paraguaia e foi utilizado sem prescrição médica.

A paciente está em tratamento no Hospital das Clínicas da UFMG, no bairro Santa Efigênia, na região Leste da capital. De acordo com familiares, o estado de saúde é considerado estável.

Conforme relato da filha, a mulher procurou atendimento médico inicialmente no Hospital João XXIII, no dia 17 de dezembro, com fortes dores abdominais, após cerca de um mês de uso do medicamento. Exames apontaram um quadro de pancreatite decorrente de intoxicação medicamentosa. Após alta hospitalar, novas avaliações levantaram a suspeita de Síndrome de Guillain-Barré, condição que compromete a musculatura e os movimentos do corpo, motivando a transferência para o Hospital das Clínicas.

A composição do medicamento ainda não foi identificada, já que o produto, por ser de origem irregular, não pôde ser analisado inicialmente. O material está sob avaliação das equipes da UFMG.

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